Médica denuncia transfobia e falta de estrutura durante plantão em UPA de Campo Grande

Médica denuncia transfobia e falta de estrutura durante plantão em UPA de Campo Grande

No dia 12 de abril de 2026, uma médica de 27 anos registrou uma ocorrência policial após relatar ter enfrentado discriminação em virtude da sua identidade de gênero, além de constantes problemas estruturais em sua atuação durante um plantão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul.


O caso foi catalogado como prática de discriminação com base na Lei nº 7.716/89, que tipifica crimes de discriminação por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, e identidade de gênero. A médica, que trabalha na rede municipal, mencionou que o atendimento começou em um setor já sobrecarregado às 13h14, o que gerou um ambiente de trabalho desafiador.

Problemas Estruturais e Falta de Equipamentos

Em seu relato, a profissional de saúde destacou múltiplas falhas que comprometeram a segurança e a eficácia dos atendimentos naquele dia. Dentre os principais problemas, estavam:

transfobia

  • Qualidade do Equipamento: O único ambu disponível para ventilação estava remendado, o que gerou grandes riscos durante os cuidados a um paciente crítico.
  • Quebra de Equipamento: O ambu se desmontou no meio de uma intubação, deixando o paciente sem ventilação adequada.
  • Ausência de Equipamento de Reserva: Não havia outros dispositivos disponíveis em condições de uso, obrigando a equipe a improvisar.
  • Improviso no Atendimento: A utilização de um ambu pediátrico em um paciente adulto foi necessária devido à falta de recursos adequados.
  • Queda de Oxigenação: Durante a interrupção no fornecimento de oxigênio, o paciente apresentou uma saturação de 65%.
  • Dificuldade em Registrar Atendimentos: A carga excessiva de pacientes dificultou o registro preciso das evoluções médicas.

Impactos da Superlotação na Saúde

Além dos problemas relatados com os equipamentos, a médica expressou sua preocupação com a superlotação da UPA, que já enfrentava dificuldades em atender um número crescente de pacientes. Entre as condições críticas observadas estavam:

  • Pacientes em estado Grave: O aumento no número de atendimentos emergenciais fez com que indivíduos com condições graves, como choque séptico e insuficiência cardíaca grave, fossem tratados em situações adversas.
  • Fluxo Constante de Atendimento: O atendimento não parava, com constantes chegadas de pacientes provenientes do Samu e Corpo de Bombeiros, mesmo com a UPA já cheia.
  • Pressão sobre as Equipes Médicas: A sobrecarga gerou estresse e dificultou a prestação de serviços eficazes e contínuos.

Atendimentos em Situação Crítica

A carga de trabalho elevada, em condições inadequadas, comprometeu seriamente a capacidade de resposta da equipe médica. Casos em tratamento incluíram:

  • Paciente com quadro de choque séptico, que necessita de intervenção rápida.
  • Indivíduo com insuficiência cardíaca que requer monitoramento contínuo e intervenções imediatas.
  • Casos agudos de problemas respiratórios que exigem equipamentos de ventilação confiáveis.

Demandas Crescentes nos Plantões Médicos

A Secretaria Municipal de Saúde emitiu uma nota indicando que o aumento da demanda nos serviços de urgência era um reflexo da sazonalidade de doenças respiratórias. Apesar disso, a médica fez questão de ressaltar que a infraestrutura e os equipamentos da unidade deveriam ser adequados para lidar com os picos de demanda. A falta de suporte logístico para os médicos em plantão é um ponto recorrente que precisa de soluções imediatas.

Análise das Condições de Trabalho

Em seu relato, a profissional mencionou que havia solicitado à direção técnica da unidade uma avaliação das condições de trabalho e a estrutura disponível. As falhas relatadas não apenas comprometem a saúde dos pacientes, mas também geram um ambiente de trabalho hostil e perigoso para os profissionais da saúde.

Responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde se comprometeu a apurar as alegações de discriminação e garantir um ambiente mais respeitoso para todos os seus profissionais, enfatizando que não compactua com qualquer forma de discriminação. As diretrizes de monitoramento e adequação de fluxos e equipes já estavam sendo revistas.

Consequências da Falta de Equipamentos

A ausência de equipamentos adequados não só limita o atendimento de pacientes, mas também expõe a equipe a situações de risco e a possibilidade de erros médicos. Isso suscita uma reflexão sobre a ética e a responsabilidade da gestão da unidade em garantir um atendimento seguro e de qualidade.

Casos de Emergência Ignorados

Durante o plantão, houve situações em que pacientes críticos esperaram por atendimento devido à falta de recursos e à sobrecarga da equipe médica. Isso levanta questões importantes sobre a necessidade de reestruturar o atendimento em emergências, e a urgência de melhorias em equipamentos e infraestrutura.

A Necessidade de Reformas Imediatas

É essencial que as autoridades de saúde implementem reformas que garantam a infraestrutura necessária para atender um número crescente de pacientes nas unidades de emergência. A falta de um suporte adequado e eficiente pode levar a consequências graves para a saúde da comunidade.

A situação levanta um apelo urgente por mudança. Reformas devem ser realizadas não apenas para estruturar os recursos de saúde, mas para assegurar que nenhum profissional de saúde enfrente discriminação enquanto trabalha para salvar vidas.